sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Coaching para cuidadores de crianças

Orientação e apoio na primeira infância

Não são poucas as mães em apuros na criação e educação das crianças, principalmente nos dois primeiros anos de vida.
O coaching para cuidadores oferece estratégias para o empoderamento dos pais e qualificação de babás no cuidado com as crianças.
Como organizar a alimentação, o sono, o banho e as atividades da criança dentro e fora de casa? Como enfrentar as birras e acolher a criança nos momentos de medos e frustrações? Como lidar com o comportamento da criança em locais públicos e na escola? Como organizar o tempo para garantir uma agenda saudável para a criança? Como fazer a comunicação com a escola e os outros profissionais que participam da educação da criança? Como estimular a criança e prepará-la para uma vida escolar feliz?
Essas e muitas outras questões fazem parte do dia a dia das famílias. E o coaching para cuidadores de crianças oferece uma abordagem individual na elaboração de estratégias de cuidados, organização e educação respeitando as particularidades de cada criança e de seus pais e irmãos.  
Posso ajudar mães e pais oferecendo um trabalho de apoio e orientação a partir do que desejam melhorar no relacionamento com os seus filhos ou buscando formas de alcançar os objetivos de estabelecimento de rotinas, cumprimento de tarefas, resolução de conflitos, proposição de disciplinas e regras.  
O coaching pode ser a saída para se livrar dos palpites da família, dos amigos e colegas e focar naquilo que os pais querem para eles e seus filhos. O empoderamento dos cuidadores será obtido com orientação e apoio de uma pessoa sem compromisso social ou parental com eles, com a tarefa de contribuir para o fortalecimento dos vínculos entre pais e filhos visando ao bom desenvolvimento infantil e à qualidade de vida da família.
A mãe intui muito bem o que tem de fazer, mas se perde muitas vezes, não consegue colocar em prática, fragilizada pelo bombardeio de informações e palpites conflitantes gerados por suas relações pessoais e sociais. Em geral, isso acontece porque as mulheres são induzidas a pensar que existe o certo e o errado, o maior equívoco a comprometer o bom desenvolvimento infantil.

A verdade é que não existe um modelo de educação acabado nem sequer para a educação de filhos no âmbito da própria família. O que funciona com um filho pode não funcionar com o outro. E os pais precisam rever os seus conceitos e procedimentos cotidianamente para encontrar soluções diferentes para crianças diferentes e momentos de vida diferentes.
Além do empoderamento de mães e pais na educação dos filhos, também posso preparar as babás para atender às necessidades de acolhimento e estímulo para as crianças.
Qual a mãe que não fica angustiada ao deixar o filho pela primeira vez com uma babá? A presença de um coach para supervisionar e orientar a nova profissional na realização de suas tarefas e no relacionamento com a criança pelo período necessário para a adaptação pode ser um fator de grande alívio e segurança para a família.
Sou jornalista, com especialização em comunicação social e educação, apaixonada por bebês e crianças pequenas, com formação e habilidade para atuar em parceria com pais de meninos e meninas de zero a nove anos de idade. Tenho três filhos, duas já adultas, e estou empenhada em contribuir na construção de uma infância saudável para a geração do meu filho Gabriel, de 7 anos.

Se interessou?
Entre em contato por meio de um comentário ou pelo email: pordentrodainfancia@gmail.com

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Aventura na chuva

Pouco antes de a chuva começar, saí de casa, preocupada com a ventania, para levar o Gabriel à dermatologista. Logo começou a chover no nosso pedaço. Pelo caminho, fomos observando os galhos e folhas que cobriam o chão onde a chuva tinha começado antes. A saraivada de granizo que atingia a lataria do carro provocava uma risada tensa nos dois.

A chuva apertou e resolvi parar em um posto de gasolina. Ficamos ouvindo rádio e observando a chuva, o trânsito... Muitas pessoas tiveram a mesma ideia e o posto, sem energia elétrica, ficou lotado de carros amontoados.

Quando a chuva diminuiu bastante, liguei para a médica. Não adiantaria ter chegado: o consultório estava alagado!

Como tudo terminou bem, gostei de estar ali, na rua, no meio da tempestade, com o Gabriel. Foi ótima oportunidade para que ele visse os estragos na cidade. Voltamos para casa observando tudo, vendo árvores caídas e água jorrando de um muro como uma cachoeira.

É assim que um filho de repórter descobre a força da natureza, sem medo de estar onde a notícia está.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Uma resposta surpresa

Gabriel! Vem ajudar a mamãe, vamos desmontar a árvore!

Como sou muito desajeitada para montar, fica difícil desmontar. Os barbantinhos que prendiam os enfeites estavam muito enroscados nos galhos.

Olhando para o saquinho no qual eu guardava os enfeites conforme íamos tirando, ele perguntou:

- Mamãe, quantos bichinhos você já tirou?

- Eu tirei três e você só tirou um.

Prossegui com a conversa enquanto ele tentava desenroscar mais um.

- Você gostou que a Mamãe fez surpresa com a árvore esse ano?

- Gostei!

- E no ano que vem, você quer surpresa de novo ou quer montar comigo?

- Eu quero surpresa! E quero que você desmonte de surpresa também. Eu chego aqui e não tem mais a árvore.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Desenvolvendo o conceito de justiça social

Conversávamos sobre o feriado. Quando explicamos o Dia da Consciência Negra, o Gabriel nos surpreendeu com uma pergunta que revelou a sua noção de grupos sociais divididos por gênero e cor/raça.

Gabriel: - Os negros ganham menos do que os brancos?

Papai: - Ganham. Isso é discriminação.

Gabriel: - E as mulheres ganham menos do que os homens?

Mamãe: - Ganham! E também é injusto.

Gabriel: - Papai, me fala na ordem quem ganha mais.

Papai: - Como?

Gabriel: - Os homens brancos ganham mais do que os homens negros, os homens negros ganham mais do que as mulheres brancas... É assim?

Papai: - Ah! As mulheres brancas ganham mais do que os homens negros. E os homens negros ganham mais do que as mulheres negras.

Mamãe: - Quem ganha menos então?

Gabriel: - As mulheres negras. Por que é assim? Quem fez isso com o dinheiro?

Seguiu-se uma rápida (ele estava sendo colocado para dormir) explicação do pai sobre capital x trabalho..., e:

Gabriel: O homem branco que deveria ganhar menos, para aprender a viver com menos.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Gabriel Dilmando

Mamãe! Eu quero ver o debate! Posso ver?

- Não filho, vai ser muito tarde. Você já vai estar dormindo.

- Eu quero ver, Mamãe!

- Por que você quer ver? Será que você vai entender alguma coisa? Você sabe o que é o debate?

- Os candidatos falam. A Dilma e o Aécio vão falar do programa eleitoral.

- E do que os candidatos vão falar?

- Das eleições.

- Mas o que vão falar das eleições.

- Cada um vai falar o que vai fazer para o país.

- Isso mesmo! Muito bem? E você sabe alguma coisa que eles vão falar que vão fazer?

- A Dilma vai falar bem do Bolsa Família.

- E você sabe o que é o Bolsa Família?

- É para as famílias pobres..., algumas!

- Mas é o quê? O Bolsa Família é um lugar?

- Não sei direito. Não sei explicar, Mamãe!

- E você quer saber como é? Quer que eu explique pra você?

- Quero!

Expliquei quem recebe, porque recebe, que pode comprar alimentos, material escolar ou outra coisa que alguém da família estiver precisando, que as crianças precisam frequentar a escola e tomar todas as vacinas. Ele quis saber se alguém pode fingir que é pobre para receber o benefício e ficou entusiasmado com a incentivo para a educação e a saúde das crianças.

- E agora, que você sabe bem como é, você gostou do Bolsa Família?

- Adorei!

Aqui em casa todo mundo é 13! E o Gabriel assistiu ao debate inteiro e achou que a Dilma foi melhor.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

De quem é a festa do pijama?

O mercado não perde tempo, nos cerca por todos os lados para sequestrar as nossas mentes. E a publicidade dirigida a crianças é, sem dúvida, a mais perniciosa.

Fiquei chocada ao passar pela vitrine de uma loja de roupas infantis e dar de cara com um cartaz oferecendo pijamas que brilham no escuro para usar em festas do pijama.

Mas essa não era uma modalidade de festinhas mais simples para as crianças?


Até onde eu vi, em festas recentes desse tipo, não havia nenhuma preocupação com os pijamas. As fotos expostas por aqui mostravam crianças se divertindo, em grupos pequenos, e a principal atração parece que é a guerra de travesseiros. Das amigas que organizaram, nenhuma fez referência ao pijama em si. Não vi nenhum desfile de pijamas. Alguém viu?


Carinhosamente e caprichosamente produzidas pela família, tem me parecido festas mais singelas, totalmente diferentes de um buffet infantil, em compasso com o desenvolvimento das crianças, que começam a rejeitar o sexo oposto e a ser mais seletivas na escolhas dos amigos.


O meu filho de 6 anos só foi a uma festa até agora, do primo, e não faço a menor ideia de qual pijama ele levou. Os pijamas que brilham, ele mesmo descobriu quando estava no quarto escuro e nos mostrou. Ou seja, nunca foi um critério para a compra.


Será que o mercado que ditou essa moda e eu não sabia? Ou será que o mercado está tentando sequestrar mais essa atividade simples, caseira, familiar das crianças?


Xô, mercado, deixe as nossas crianças em paz!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Papai e Mamãe de pelúcia

Passando na frente de uma floricultura, comentei como era lindo um elefante cor-de-rosa exposto na vitrine. O Gabriel correu para ver de perto e sugeriu ao pai que me dessem de presente de Dia das Mães, provavelmente, porque lembrou já terem comprado flores para mim, naquele lugar, em anos anteriores.

Expliquei que já sou grande para ganhar bicho de pelúcia e que considero estranho adultos que gostam de ter coisas de criança. Disse que acharia ridículo ter um elefante de pelúcia em cima da minha cama.
- Por quê?

- Porque eu já sou grande, sou mulher; não vou dormir abraçada com um bicho de pelúcia!

E ele, rindo:

- O seu bicho de pelúcia é o meu pai, né?! E você é o bicho de pelúcia dele, né?!

- Nossa, que legal! É isso mesmo! Gostei disso que você falou!

- Então vocês têm bicho de pelúcia... Um é o bicho do outro!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Democracia corinthiana

O volume é alto e o tom é de indignação. No final, as palavras ganham ares de revolta:

Gabriel - O pai da Clara disse que ela só vai poder casar com são-paulino!

Mamãe - Ah! Engraçado isso... hahaha

Gabriel - Se eu quiser casar com ela quando eu crescer, vou ter que ser são-paulino?!

Mamãe - Não! Você casa com outra.

Gabriel - Isso é preconceito!

Mamãe - Isso mesmo, é preconceito!

Gabriel - Então ela não vai poder casar com a gente?

Mamãe - Com a gente quem?

Gabriel - Os corinthianos, os palmeirenses... Isso não pode, é preconceito. Ele vai tomar uma multa!

Mamãe - Quem tem preconceito leva multa?

Gabriel - Quando eu crescer, vou dar 39 multas pra ele. Papai! Escreve uma mensagem pra ele assim: Isso é pre-con-cei-to!

Papai - Você pode casar com uma palmeirense se você quiser.

Gabriel - É! Com são-paulina, com argentina até! Com italiana...

Papai e Mamãe - Pode! Pode casar com quem você quiser!

Gabriel - Mas eu não entendo porque o pai da Clara proibiu ela de casar com gente de outros times... É porque ele é preconceituoso, é o homem preconceito! O pai da Clara é muito preconceituoso com os outros times...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Vai, meu filho! Aqui é Gabriel!

Eu - Como foi o jogo hoje, Gabriel?

Ele - O meu time ganhou de 6 a 4.
 

Eu - Ah! Toda vez o seu time ganha? Isso é marmelada!
 

Ele - Não é. É sorte minha, que eu fico com os melhores!
 

Eu - Você é dos melhores?
 

Ele - Não!... Eu sou ruim.
 

Eu (rindo) - É?!

Ele: - Mas eu defendi! Quem defendeu a bola foi o zagueiro Gabriel, que era eu. Eu era o zagueiro e defendi com o pé e a bola não entrou.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Semeando a diversidade

As conversas durante as refeições são sempre muito ricas em casa. Nesses momentos, encontramos oportunidade para debater assuntos interessantes que o Gabriel coloca à mesa. Muitas vezes, ideias lamentáveis que ouve na escola, na perua escolar e por aí afora. Mas é muito bom lidar com as questões que ele formula a partir da leitura que faz do mundo.

Gabriel: - Mamãe! Pode casar menina com menina?


Eu: - Não, porque criança não pode casar. Pode casar mulher com mulher; só casa quando é adulta.


Gabriel: - E não vira lobisomem?


Eu: - Claro que não! Isso é invenção, é mentira.


Gabriel: E pode casar menino com menino?


Eu: - Não. É a mesma coisa, só pode casar adulto. Pode casar homem com homem.


Gabriel: - E tem preconceito?


Papai: - Tem! E tem muito preconceito, com  muitas coisas. Preconceito porque tem deficiência física, porque é negro...


Eu: - Porque é gordo. Tem preconceito com o casamento da mamãe e do papai! Tem gente que acha que não pode casar uma mulher mais velha, como a mamãe, com um homem mais novo, como o papai.


Dias depois...

Gabriel - Papai! Se casar homem com homem, da barriga de qual dos dois sai o bebê?

Papai - De nenhum dos dois. Se eles quiserem ter um filho, podem adotar uma criança.

Gabriel: E se for mulher com mulher, sai da barriga de qual das duas?


Papai. Pode sair de qualquer uma das duas. Mas elas também podem adotar uma criança.


sábado, 16 de março de 2013

Para que serve um marido

Conversando com o Gabriel no quarto dele, resolvi chamar o Claudio para fazer uma pergunta. Não tinha percebido que ele tinha entrado no banho e chamava cada vez mais alto: "Claudio!"

E o Gabriel saiu com essa: - Ih! (com os olhos arregalados e uma risadinha) E se ele arrumou outra mulher e foi embora?


- O que é isso, Gabriel, ele está aí; Claudio!"

- É Mamãe, ele pode fazer isso!

- Será, filho? Eu ficaria muito triste se isso acontecesse.

- E se ele fizer, quando tiver filme de adulto no cinema, você vai ter que ir sozinha!

domingo, 3 de março de 2013

O importante é fazer gol

Voltou da primeira aula feliz, porque o time dele tinha ganho e ele não tinha feito nenhum gol. Voltou da segunda aula mais feliz ainda, porque além de ter ganhado novamente, o time tinha feito quatro gols e o segundo foi dele. Voltou indignado da terceira aula, porque foi trocado para o time que perdeu.

Um mês na escolinha de futebol e ele se diverte. O companheiro de time comenta: "O nosso time era o pior e ganhou." E o Gabriel completa, dando uma gostosa risada: "E eu sou um dos piores!"

Ele está absolutamente encantado com as aulas de futebol. Ganhou um uniforme novo do pai, todo azul, mas se recusa a vestir. Vai sempre com a mesma roupa: o uniforme do Corinthians. Comemora cada gol com entusiasmo. Ergue os braços abertos e grita: "Gooooooool!"

Como é comum entre os jogadores profissionais, reclama que tem muito treino e pouco jogo, mas faz todas as atividades propostas. Indisciplinado, não volta para a fila do exercício e fica jogando repetidas vezes a bola para o gol. Mas o professor vai corrigindo devagar...

A empolgação com as aulas de futebol reflete no dia a dia. A brincadeira predileta tem sido jogar futebol de botão, no Estrelão dos anos 80, que herdou do Tio Junior. E passou a se interessar mais pelas partidas de futebol transmitidas pela TV.

Hoje, saindo do clube no final da tarde, ouvindo o Corinthians e Santos pelo rádio do carro: "Papai, vamos ver o jogo quando a gente chegar em casa?"

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Um menino solidário, uma criança feliz!

Chorei e chorei, emocionada com a atitude do meu filho. Chegamos à primeira conversa com as professoras, há menos de um mês do início das aulas, curiosos para saber se o Gabriel estava se adaptando à nova escola e saímos de lá encantados com o que ouvimos.

Muito mais importante do que ele estar "se sentindo em casa", "completamente adaptado", foi ele ter ajudado na adaptação muito difícil de um coleguinha de classe.

Segundo as professoras, ele foi "fundamental e desempenhou um papel muito importante" ao conversar carinhosamente e oferecer possibilidades de brincadeiras a um meninino que ficava encolhido e cabisbaixo, negando-se a participar das atividades.

Nosso garoto ia até onde estava o colega e insistia: "Vem, não fique triste, vamos brincar!" Ele se dedicou até que a criança estivesse integrada ao grupo.

As professoras se divertiram ao contar que após a adaptação do aluno, o Gabriel se sentiu desapontado ao ver o menininho fazer uma nova amizade e sair para brincar sem ele. Mas, rapidamente superou o incômodo e se juntou ao coleguinha, com quem brinca muito diariamente.

A escola promove essa reunião com as professoras para conhecer mais sobre as crianças e a rotina delas em casa. Mas acabam falando do que está se passando por lá nesse início de ano letivo. Nos sentimos orgulhosos logo no início da conversa quando Elisa resumiu sorridente: "O Gabriel é feliz!". Na avaliação delas, ele está sempre motivado e empolgado para as atividades porque "é feliz!".

Ficamos sabendo que ele fala muito e tem muitas contribuições a dar. Só precisa aprender ainda a esperar a sua vez de de se manifestar.

Elas contaram que o nosso garoto adora brincar sozinho, concentrado, montando complexos cenários com os brinquedos, como faz em casa. 

Também ressaltaram a maturidade que demonstra ao expor fortemente o seu senso de justiça. Ele reclama indignado quando uma criança retira uma peça da sua brincadeira sem pedir. Mas não tem dificuldade em dividir os brinquedos nem de brincar com as outras crianças. "Crianças que têm essa felicidade que o Gabriel tem atraem as outras crianças," disse a professora.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Desabafo!

Como o dia demora a passar quando a gente sai de casa com um lamento do filho ecoando no coração.

Gabriel ontem à noite: "Eu fico com tanta saudade quando você tá trabalhando. Fica mais comigo!"

Eu explico, agrado, conto histórias e brinco bastante antes de colocá-lo para dormir, mas, na verdade concordo com ele. Principalmente nas férias, com ele em casa o dia todo, deve ser difícil demais não ter a mãe por perto.

Queria tanto que a organização da sociedade deixasse mais tempo para as crianças. Quantos pais e mães ouvem isso todos os dias?

Cada vez mais, tenho certeza de que o mundo seria melhor se dedicássemos mais tempo às crianças. Quando teremos a redução da jornada de trabalho? Os benefícios seriam tantos: Diminuiriam os problemas de saúde, a violência, os conflitos familiares, o trânsito, o consumo de energia, as tristezas, enfim.

Mas, ao contrário, o dia vai esticando, esticando, as coisas são resolvidas cada vez mais tarde e sobra pouquíssimo tempo para ficar em casa.
A vida profissional é importante, mas não deveria ser um rolo compressor a esmagar a vida pessoal. E não sou euzinha que posso resolver isso sozinha. A sociedade de consumo precisa se dar conta de que as pessoas estão sendo consumidas.

Desculpe, filhinho, eu também queria ficar mais com você, mas o capitalismo não deixa. Você vai crescer e perceber isso.

domingo, 25 de novembro de 2012

Foi bonita a festa, pá!



As festas de que o Gabriel mais gosta são as dele. O papel de aniversariante, de protagonista, é vivido com satisfação e muita transpiração. Ele aproveita até a última gota.

Neste ano, não foi diferente. Mas acho que superou os outros pela identidade com o cenário: Foi uma festa corinthiana! A inspiração para o tema da festa nasceu quando ele pediu de aniversário o uniforme completo do Corinthians.

O Gabriel vibrou com o presente, com direito a chuteira, caneleira e uma bola de futebol! Mas precisou esperar mais pela festa porque o aniversário caiu na segunda-feira de um feriado duplo emendado.

Enquanto isso, ele contava: “A minha festa vai ser do Corinthians! Com tudo de quando eu era pequenininho!” Mas também enfrentou problemas. Voltava da escola chateado: “Quem não é do Corinthians fala que a minha festa vai ser feia!”

A animação começou nos preparativos, com a "família montada" em ação: Papai, Mamãe, Irmã, Vovó e Gabriel carregando as coisas, enchendo bexigas e colocando tudo no lugar antes de os convidados chegarem. O pequeno corinthiano já estava eufórico.

O destaque da festa foram as peças que saíram da famosa Caixa do Corinthians para o varal que enfeitou o quiosque no clube. Bonés, camisetas, macacões, sapatinhos, uma boa parte do que eu guardo para ele desde bebê. Os nossos amigos sabem da coleção e há quem dê presentes do Corinthians só para ser guardado para sempre na caixa do Gabriel. 

Foi um encanto geral com a pequena mostra.



Outra delícia foi a brincadeira de adultos e crianças vestidos com as camisetas dos times. Um massacre! Nós, corinthianos, fomos maioria, como sempre, embora nem todos tenham comparecido uniformizados.

Catarina, toda linda com a sua camiseta do Palmeiras, disse para o pai que não queria entrar naquela festa quando deu de cara com dois corinthianos logo na entrada. Entrou e logo superou o susto, para se divertir muito com a flamenguista Joana.

A Nali foi com a camisa do marido. Perguntei: “Nali, você torce para o Flamengo? E ela: “Eu não! Mas era a camiseta que tinha lá em casa.”

A proposta era estimular as crianças para a convivência pacífica e saudável entre as torcidas, mas o Leandro não podia perder a piada. Quando viu a filha colocando um chinelo do Timão: “Tira isso, filha, vai pegar uma frieira!”

A Luana disse que saiu de lá gostando mais ainda do Gabriel porque ele topou tirar algumas peças do varal para dar para o Guilherme... Foi só uma brincadeira!
O João estava louco para jogar bola, afinal, tinha ido lá para isso. Quando chegaram ao campo, foi uma alegria geral. O Gabriel abandonou o gramado depois de levar uma bolada na cara. Saiu para tomar água e não voltou mais.

O Lourenço mandou o pai ir embora de taxi para uma reunião de trabalho porque ele queria ficar mais. Acabado o jogo, quando começou a ficar com cara de fim de festa, declarou: “Agora, está um tédio!”
Quando liberei os docinhos para as crianças antes “do parabéns” foi uma delícia! Eles estavam morrendo de fome porque brincaram tanto pelo clube que se esqueceram de comer. O Gabriel enchia as mãos de brigadeiro e saía correndo para distribuir para os amigos.

O primeiro pedaço de bolo foi para o Santiago, realmente uma demonstração da amizade entre os dois. A Michelle ficou toda orgulhosa do filho, com razão!
Depois de um dia de festa, o protagonista dormiu até às 10 horas e passou o dia brincando com os presentes. E eu fiquei com um problema: o que eu posso inventar para os próximos anos?

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O pizzaiolo e a jornalista

Saí do trabalho, fui para a terapia, cheguei mais tarde em casa. Abri a porta e o Gabriel, que costuma pendurar no meu pescoço antes que eu largue a bolsa, saiu correndo.

- Vem cá, vem dar um beijo na mamãe!

E ele, com um sorriso maroto: - Só se você chegar mais cedo!
I
ncrível como ele sabe expressar com clareza e objetividade os seus sentimentos. Expliquei que quinta e sexta ficarei com ele o dia todo porque é feriado e ele ficou contente.

Colocando para dormir, conversamos e eu disse que também gostaria de ficar mais tempo com ele.

- Você fica feliz quando a mamãe chega mais cedo?

- Não, eu fico feliz quando você fica comigo.

Expliquei que preciso trabalhar e ele disse que era para ganhar dinheiro. Eu disse que não, que a gente não trabalha só para ganhar dinheiro, mas para ter uma realização, fazer uma coisa que gosta.

- Você não quer ser pizzaiolo quando crescer?

- Eu quero!

- Então, a mamãe quer ser jornalista.

Ele ficou satisfeito com a explicação e não faltaram beijos de boa noite!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quem não se comunica se trumbica

Enquanto visto o pijama, pergunto: "Hoje, vamos conversar ou você quer que eu conte uma história?

A resposta é clara: "Você conta uma história e depois conversamos sobre o que nós mais gostamos da história."

E assim foi, mais uma novidade na nossa rotina diária. O Gabriel escolheu um livro na sua minibiblioteca, me acomodei para que ele pudesse acompanhar bem a leitura e ficamos ali comentando e opinando sobre a história do Saci.

Como é especial essa hora de dormir! Vivemos momentos deliciosos recheados de histórias contadas, reiventadas, adaptadas, misturadas, esticadas, ou o mais sensacional: criadas em incrível bate-bola Mamãe-Gabriel, que ele chama de conversa.

É ele quem inventa tudo, escolhe a dinâmica da vez. E me surpreende com a riqueza de suas ideias para fechar a noite de amor e carinho que enriquece a nossa vida e fortalece os nossos vínculos afetivos.

O conversar dele é a construção coletiva de uma história, é a versão mais radical do viajar na maionese; vamos juntos inventando uma história maluca que só acaba quando o relógio avisa que o dia seguinte já está ficando próximo demais para quem precisa acordar cedo.

Certa vez, ele começou contando uma história e sem avisar, sem combinar, de repente, disse: "Agora, é você!" Peguei o fio da meada e segui em frente com a história até devolver: "Agora, é você!" Ele retomou a palavra e costurou mais um pedaço da nossa colcha de retalhos. Foi uma viagem maravilhosa, criamos uma aventura sensacional. Gostamos tanto da experiência que temos repetido a receita noites seguidas.

Em outra ocasião, quando acabei de ler uma história, ele pegou o livro da minha mão e disse que faria algumas perguntas. Com uma risada empolgada, explicou: "Vamos brincar de Veloz Mente!" Eu ainda não conhecia a série que ele gosta de ver na TV. Fiquei encantada com a complexidade das perguntas que ele formulou. Fugindo do óbvio, sem amparo nas figuras, foi buscar no texto os detalhes para me questionar. Em outra noite, invertemos. Depois de ler a historinha, fiz uma porção de perguntas e ele foi respondendo prontamente

Quando vejo os resultados do Ideb, da Provinha Brasil ou outro teste que aplicam nos alunos de escolas públicas e privadas, fico pensando que escola é capaz de ensinar uma criança ou um adolescente que não cresceu lidando com as letras. O desenvolvimento da linguagem, a aquisição de vocabulário, a capacidade de se comunicar começa em casa. Ele vive em mundo letrado desde bem pequenininho e com essa dinâmica cotidiana de brincadeira com as palavras, está sendo naturalmente preparado para dar um banho de interpretação de texto quando a vida escolar exigir.

As nossas noites prazerosas já mostram resultados. Ele é capaz de comunicar o que quer, o que precisa, o que gosta, o que ofende, o que aborrece, o que alegra, enfim, é capaz de expressar o que sente e o que pensa com facilidade e convicção.

Outro dia, recebendo o retorno sobre uma reclamação que fiz à escola, ouvi a seguinte frase da orientadora pedagógica: "Thelma, você tem o Gabriel como um informante. Não são todas as crianças que conseguem levar os problemas pra casa. Muitas crianças sofrem caladas."

sábado, 7 de julho de 2012

Convivendo com a mamãe trabalhadora

Na sexta feira, ele demonstra o quanto a semana é comprida e desgastante, por passar o dia na escola e ter pouco tempo em casa com a mãe:

- Mamãe, acho que vou passar cola no seu braço e encostar o meu, vamos ficar grudados. Aí eu vou para o seu trabalho com você ou você vai pra minha escola comigo.

No sábado, antes de sair para um compromisso rápido, explico que vou trabalhar, mas não vou ficar o dia todo fora. Digo que volto logo.

Quando estou saíndo, dedinho em riste: "Mamãe, é um pingo pra ir, um pingo lá, e um pingo pra voltar!"

Não é fácil lidar com a necessidade de sair para trabalhar e a vontade de ficar com ele. O importante é que entendo que com quatro anos e meio, ele precisa é desgrudar da mãe.

Na brincadeira, demos muitas risadas pensando como seria complicado viver grudado para tomar banho, ir ao banheiro, brincar, e chegamos juntos à conclusão de que não dá para viver grudado.

É muito bom que ele saiba colocar os seus desejos e seja capaz de abrir o diálogo sobre o assunto. Ele me dá a chance de explicar como é a vida de adulto e de criança e de falar sobre a certeza de que vamos cada uma para um lado, fazemos as nossas coisas, e voltamos a ficar juntinhos de novo.

terça-feira, 27 de março de 2012

Consumismo infantil não é brincadeira

O que podemos fazer para lutar contra empresas tão poderosas que descobriram que criança é um excelente negócio? Recebi um e-mail da mobilização do Projeto Criança e Consumo alertando para um novo parque para crianças que será inaugurado, no ano que vem, onde funcionava o Parque da Mônica, no Shopping Eldorado. Será uma minicidade onde as crianças poderão brincar de trabalhar e gastar o salário depois. O assunto é matéria da Exame

Desde cedo, serão ensinadas a torrar dinheiro com as poderosas marcas que estarão presentes no aparentemente inofensivo parque. Como questiona o Criança e Consumo, "parque de diversão ou de publicidade?"

Quer dizer que vamos seguir assim, ensinando os nossos filhos a trabalhar feito malucos para poder consumir, consumir, consumir. Já não basta o que fazemos com nós mesmos? Se nós que crescemos pulando muro e brincando na terra somos capazes de trabalhar 12 horas por dia para sustentar uma vida de consumidor, o que será deles? As crianças vão ao parque para imitar o que veem os adultos fazendo todos os dias. Na verdade, estamos todos inseridos nessa dinânica ditada pelo mercado.

Como cada pai e cada mãe pode enfrentar uma indústria tão poderosa, lutar contra essa cultura? Fico perturbada com essas notícias, sinto como se estivessem sequestrando as mentes da atual geração de crianças, da qual o meu filho faz parte.

O mercado é criativo e persistente. Eles cercam de todos os lados. A gente não dá refrigerante, não leva no McDonald's, eles inventam uma minicidade onde a própria criança compra em um McDonald's de brinquedo ou trabalha de mentirinha em uma fábrica da Coca-Cola. A gente não leva no tal parque, eles se metem dentro das escolas, simulando um projeto educativo qualquer para distribuir brindes e divulgar as marcas para as crianças.

Precisamos resistir, proteger ao máximo as crianças desse assédio, mas é impossível mantê-las fora do mundo onde elas vivem.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cinema e livro são bons aliados no estímulo à leitura

Estimular as crianças para que gostem de ler e de estudar é muito gostoso. Com o meu filho de três anos, vejo que o incentivo que recebe em casa tem um ótimo efeito no jeito como ele lida com o mundo das palavras. Com um vocabulário muito bom, ele conta histórias com ritmo, riqueza de detalhes, começo, meio e fim.

Ontem, ele foi ao cinema e adorou O Rei Leão. Hoje, logo cedo, quis ouvir a história e eu li o livro da coleção Contos Disney. Relembramos cenas e diálogos do filme, comentamos detalhes da história, foi uma delícia. E sei que esse passeio ainda vai render muita coisa em torno do tema essa semana.

Ele recebeu os estímulos por meio da linguagem cinematográfica e reforçou com a leitura do livro. Além de fortalecer o vinculo afetivo com a família em um gostoso passeio de domingo, ele aprendeu muita coisa que será importante na vida dele lá na frente, na alfabetização, por exemplo.

É muito comum fazermos isso com ele em casa. Ele vai ao teatro e ao cinema e depois contamos a mesma história lendo um livro. Ele assiste a um DVD com um filme ou um episódio do Cocoricó e depois ouve a história do livro que ele mesmo procura na estante.

Encantado com as histórias, ele transforma os seus bonequinhos em personagens de uma peça de teatro e encena os enredos repetindo diálogos e ações ou inventando novas situações. Ele mesmo é o ator em muitas montagens improvisando roupas e acessórios com o que encontra pela frente. Uma coisa leva a outra, em um processo de criação sem fim.

Aos 3 anos e 9 meses, muito mais importante do que conhecer algumas letras e saber ler e escrever o próprio nome é o fascínio que ele tem pelos livros e a facilidade com que conta uma história. Ele interpreta o texto e discute o papel dos personagens e as ações marcantes do enredo. Em uma brincadeira inventada pelo pai, mostrou que sabe elencar os trechos que gosta e que não gosta das muitas histórias que conhece. Essas habilidades o ajudarão muito na escola, no trabalho, na vida.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Filhos precisam contar com o pai tanto quanto com a mãe

Uma conversa com o psicólogo Florival Scheroki

Saber para onde correr quando precisa de proteção ou de ajuda, ter um colo aconchegante quando está doente ou machucado, tanto faz se quem está por perto é o pai ou a mãe, o importante para a criança é acreditar que pode contar com o carinho e a atenção dos dois a qualquer momento. Com as mudanças no estilo de vida das mulheres, os homens cada vez mais assumem funções importantes na educação e cuidados com os filhos e podem muito bem fazer isso.

Para o psicólogo Florival Scheroki, é fundamental oferecer proteção, segurança e um ambiente propício para a criança explorar o mundo e se desenvolver, e tanto os pais como as mães têm esse papel. Para o bom desenvolvimento infantil é importante que a criança identifique o adulto como um porto seguro em qualquer situação da vida.

As cenas da criança correndo para os braços do pai quando se machuca no parque, ou choramingando no colo do pai enquanto aguarda atendimento no pronto-socorro mostram que os homens podem manter uma relação de proximidade com o filho para desempenhar bem a função de cuidador.

Segundo o psicólogo, a criança precisa de figuras de apego com as quais se identifica e conta sempre. É sob essa segurança e proteção que ela vai desenvolver as suas habilidades até se tornar autônoma. O pai e a mãe precisam se mostrar disponíveis em situações novas e ameaçadoras para que a criança desenvolva dentro dela essa certeza de que tem um refúgio seguro para onde pode correr sempre que precisar.

As mulheres sempre estiveram mais disponíveis, mas cuidar e suprir as necessidades das crianças não precisa ser exclusividade delas. Muitos homens abriam espaços internos e estão mais disponíveis para os filhos, conseguindo desempenhar a dupla jornada - trabalhar e cuidar dos filhos - a exemplo do que as mulheres já fazem há muito tempo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Amamentação alimenta a relação entre mãe e filho

Semana Mundial de Amamentação

Um ato de amor, um ato de proteção, um passo importantíssimo na formação e no fortalecimento do vínculo entre a mãe e o bebê: amamentar é ser mãe plenamente.

Amamentei os meus três filhos, as duas primeiras por menos tempo do que eu gostaria. Fui mal orientada pelos pediatras e o leite acabou antes do sexto mês. Fiquei muito triste nas duas ocasiões, tentei continuar, mas não encontrei profissionais competentes que me ajudassem a manter o aleitamento materno. Hoje, sei que teria sido possível, mas, naquela época, a amamentação não era valorizada e as jovens mães como eu sabiam muito pouco a respeito para encontar uma alternativa sozinhas.

Com o terceiro filho, mais de 20 anos depois, foi tudo diferente. Mesmo passando por uma mastite, sentindo fortes dores, não precisei interromper a amamentação porque tive a orientação necessária para contornar o problema.

Muito mais do que oferecer o melhor leite para o bebê, sempre entendi a amamentação como uma oportunidade de alimentar a relação com os meus filhos. Além de ingerir muita água e manter uma alimentação saudável e variada para garantir a quantidade de leite necessária, repeti com o meu caçula o ritual de amor e afeto que tinha com as meninas.

Sempre fiz questão de ficar sozinha com eles para trocar olhares e carinhos enquanto amamentava: um ambiente silencioso, sem televisão, sem nada para interferir. Mesmo quando tinha visitas, me retirava para o quarto para amamentar tranquilamente. Nas sete ou oito mamadas do dia, o ritual era o mesmo: parava tudo para amamentar e curtir intensamente os meus bebês. Esses momentos vividos com eles estão entre as melhores lembranças da maternidade.

Amamentando, sentia-me mais mãe do que nunca! E com o passar do tempo, com tudo o que aprendi, sei que agi corretamente, pois é assim que os bebês começam a desenvolver a linguagem e podem aprimorar a comunicação com a mãe.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Os dois primeiros anos são a melhor época para ensinar à criança a comer de tudo

Uma conversa com a nutricionista Isa Maria de Gouveia Jorge

Até os dois anos de idade, a criança recebe de bom grado tudo o que é oferecido para comer, sem rejeitar as novidades. É a fase de levar tudo à boca, inclusive os alimentos que pode manusear.

A primeira oportunidade que a criança tem de se acostumar com os sabores diversos de uma boa alimentação é a amamentação. O sabor do leite materno muda de acordo com o que a mãe come. Por isso, se ela tiver uma alimentação variada, o bebê entrará em contato com sabores diferentes e irá desenvolver um rico paladar. A recomendação da Organização Mundial de Saúde é o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade. A partir daí, a criança passa a receber outros alimentos que devem ser variados e saudáveis.

Segundo a nutricionista Isa Maria de Gouveia Jorge, supervisora de saúde e nutrição das creches e pré-escolas da Universidade de São Paulo (USP), as mães não devem desanimar diante das caretas dos bebês quando experimentam um legume, uma verdura ou uma fruta pela primeira vez. O ser humano nasce gostando de doce e salgado e precisa aprender a apreciar o azedo e o amargo. A careta é só um estranhamento e não um sinal de que ele não gostou e não vai gostar nunca. Um alimento precisa ser oferecido 10 vezes para a criança se acostumar com o sabor.

Nesse período inicial, de introdução dos novos alimentos, é aconselhável evitar os produtos industrializados, com sabores mais fortes alcançados com o excesso de sal, açúcar e gordura. A criança não deve experimentar uma bolacha recheada, deve ser acostumada aos biscoitos tipo Maria ou Maizena, que não interferem negativamente no paladar.

“É preciso uma atenção da família para não introduzir precocemente alimentos industrializados. Tanto no Brasil como no exterior, as crianças entram em contato com alimentos ricos em sal, gordura e açúcar antes de um ano de idade. Essa alimentação precisa mudar. A prevenção começa com a mãe oferecendo o leite materno”, afirmou.

Não comi e não gostei

Muitas crianças dizem que não gostam do alimento quando nem conhecem. Para se familiarizar com mais facilidade, é bom que seja colocada em contato com uma grande variedade de alimentos saudáveis logo no início da alimentação, antes de os dois anos de idade. A educação alimentar começa antes de engatinhar. O bebê aprende a segurar com as mãozinhas as frutas e os legumes para estimular a mastigação e conhecer um alimento novo. “O bebê tem apetite voraz. Ele chega a crescer 30 centímetros em um ano, por isso precisa comer muito. É mais fácil aceitar nessa fase de apetite voraz.”

A nutricionista recomenda não oferecer para a criança apenas laranja lima. É bom dar laranja pêra e lima da Pérsia para a criança se acostumar a novos sabores. É nessa época que a chance de gostar de jiló e escarola é maior. Depois de conquistado o paladar da criança para alimentos saudáveis, ela carregará isso para a vida toda.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Alimentos industrializados roubam o paladar das crianças

Uma conversa com a nutricionista Isa Maria de Gouveia Jorge

Quanto mais cedo as crianças entram em contato com alimentos industrializados menos elas gostam de frutas, verduras, legumes, carnes e todos os tipos de produtos in natura. Uma boa educação alimentar mantém a criança longe das guloseimas, refrigerantes, salgadinhos e fast food pelo maior tempo possível para permitir que ela desenvolva um bom padrão alimentar que levará para a vida toda. Em geral, o que a criança come até os quatro anos idade é o que deverá comer até adulta. A partir dessa idade, a criança introduz novos alimentos à dieta, mas com pequena variação em relação ao que aprendeu e ao paladar que desenvolveu nos primeiros quatro anos de vida.

Para a nutricionista Isa Maria de Gouveia Jorge, supervisora de saúde e nutrição das creches e pré-escolas da Universidade de São Paulo (USP), depois que a criança experimentou, não é possível recuar. Não adianta proibir o consumo de algo que ela já conhece e gosta, o melhor é não comer pela primeira vez.

Segundo Isa Jorge, as crianças entram em contato muito cedo com alimentos industrializados, ricos em gordura, sódio e açúcar, que ganham o paladar da criança, e os sabores mais leves dos produtos in natura vão perdendo espaço na alimentação. “O excesso de gordura, açúcar e sal melhora o sabor dos alimentos. Os alimentos industrializados são altamente palatáveis.”

O exagero de sódio é uma armadilha para pegar as crianças. Dos vários tipos de macarrão instantâneo existentes no mercado, os que são associados a personagens infantis são os que mais contêm sódio: o sabor tomate tem 1.700 miligramas de sódio e o sabor galinha e carne tem 1.900 miligramas de sódio. A necessidade diária de sódio de um adulto é 1.500 miligramas de sódio. Ou seja: se a criança come um pacote do chamado “miojo” infantil está consumido mais do que a necessidade diária de sódio de um adulto.

Em pesquisa realizada para o doutorado, Isa Jorge levantou os dez alimentos preferidos das crianças e apenas três deles, os últimos colocados da lista, podem ser considerados saudáveis. As crianças escolheram: batata frita, pizza, salgadinho de pacote, salsicha, biscoito recheado, refrigerante, chocolate, frango, iogurte e melancia. “Essa alimentação precisa mudar”, afirmou.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Namorar é coisa de gente grande

Uma conversa com a professora do Instituto de Psicologia da USP Walkiria Grant

O que pretende um adulto quando pergunta para uma criança se ela tem namorado? Quem não viu essa cena várias vezes? Meninos e meninas constrangidos acham que se estão perguntando é porque deveriam ter. É comum as pessoas que não têm assunto com as crianças apelarem para conversas de gente grande com elas.

O pior é quando a confusão entre o que é de criança e o que é de adulto parte dos próprios pais. Muitos acham engraçadinho quando as crianças falam que têm namorados, trocam beijinhos e declarações de amor. Também é comum falarem que o menino vai ser pegador ou brincarem de oferecer os bebês como pretendentes para os filhos dos amigos.

Essa conversa toda contribui para a erotização precoce e aumenta as chances de essas crianças se tornarem adultos com problemas relacionados à sexualidade e dificuldades para estabelecer bons relacionamentos amorosos. Mas os problemas podem começar ainda na infância. Com o pensamento voltado para o próprio corpo, as crianças podem ter o aprendizado prejudicado. Elas não têm um bom desempenho na escola porque estão ocupadas com assunto fora de hora. É papel dos pais separar o que é do mundo adulto e do mundo infantil e não misturar tudo como muitos vêm fazendo.

O meu filho de três anos chegou da escola, um dia desses, contando que uma amiguinha “já tem namorado!” Até ele sabe que é cedo para namorar porque falou “já”. Expliquei que criança não tem namorado, ele teimou que sim, eu insisti que não.

Para a professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Walkiria Grant, o namoro é a vivência da sexualidade, da atração pelo corpo do outro, portanto, não é assunto de criança. A atitude dos pais deve ser de provocar as crianças para pensarem em outras coisas. Apenas na adolescência, por volta dos 14 anos, o corpo sofre transformações e responde pela linguagem. Antes disso, qualquer iniciativa para erotizar as relações ou fantasias infantis deve ser evitada. O que os pais e a sociedade falam promove mudanças precoces interferindo negativamente no desenvolvimento infantil.

Segundo ela, os pais que introduzem precocemente esse tema na vida das crianças podem estar enfrentando problemas com a própria sexualidade. Os pais que têm uma vida sexual reprimida vivem a sexualidade pelo prazer dos filhos. “Quanto mais comprometida estiver a vida sexual, mais escorregam. Os pais são o grande nó: ou impedem o adolescente de namorar ou empurram o filho para a sexualidade precoce”.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Crianças precisam ter obrigações desde pequenas

“Mamãe, você gosta de mim sempre, né?” O meu filho de três anos disse isso com um sorriso delicioso quando reparou a cara de mãe babona encantada com o jeitinho dele enquanto comia. Respondi com uma risada gostosa e expliquei: “Às vezes, não gosto do que você faz, não gosto de má-criação, mas continuo gostando de você sempre. Eu fico brava quando você faz coisa errada, mas não paro de gostar de você.”

Vivi essa situação pouco tempo depois de ler uma entrevista com o psiquiatra Içami Tiba, sobre o seu novo livro, “Pais e Educadores de Alta Performance”, no qual alerta para os riscos de uma educação que oferece tudo às crianças sem exigir nada em troca. Ele critica a cultura de criar as crianças para ter prazer na vida e afirmou: “É exigir que ela (a criança) faça o que é necessário. Os pais dão tudo e depois castigam os filhos porque estes fazem coisas erradas. Mas não é culpa dos filhos. Afinal, eles não querem estudar porque estudar é uma coisa chata, mas alguma vez ele fez algo que é chato em casa?”

Para Içami Tiba, “a educação é um projeto de formar uma pessoa com independência financeira, autonomia comportamental e responsabilidade social.” Além de concordar, não acho difícil de fazer, de exigir que os filhos tenham responsabilidade desde pequenos para aprender a viver em casa e fora dela. As crianças precisam ter obrigações de acordo com a idade. São pequenas tarefas que vão entrando na vidinha delas conforme vão crescendo. Os pais devem exigir respeitando a capacidade da criança para exercer tarefas e assumir responsabilidades.

É como afirmou o psiquiatra, os pais não podem fazer pelos filhos o que eles são capazes de fazer sozinhos. “É preciso impor a obrigação de que o filho faça, isso cria a noção de que ele tem que participar da vida comunitária chamada família.”

A criança percebe relação de amor

Em casa, costumamos viver momentos deliciosos durante as refeições. Conversamos e brincamos muito o tempo todo enquanto comemos. E muitas vezes chegamos à mesa, como aconteceu ontem, depois de umas broncas para juntar os brinquedos. Ele recolhe as coisas esparramadas pelo chão enquanto eu sirvo à mesa, para não cair comida nos brinquedos. Vira e mexe, fica enrolando, brincando em vez de guardar, mas eu insisto a cada prato ou travessa que levo no vaivém da sala para a cozinha. Para ajudar, vou orientando, “pega aquele carrinho ali, coloca esses na cestinha...”, para que ele não se perca no meio da bagunça e consiga cumprir a tarefa. Quando não obedece de jeito nenhum, tem bronca.  Se tem coisa demais, recolhemos juntos. Depois, é lavar as mãos e sentar para comer. Recebendo atenção e sendo exigido, um menino de três anos percebe que é amado pela mãe sempre, como ele mesmo disse.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Criança precisa crescer brincando

Uma conversa com o neurologista infantil, Carlos Takeuchi, do Hospital Albert Einstein

A importância do brincar para uma infância saudável é um consenso entre os profissionais da saúde e da educação. É brincando que a criança descobre e interpreta o mundo e se desenvolve física e mentalmente. E o brinquedo tem uma função importante ao proporcionar e enriquecer a brincadeira. Enxergar o objeto como brinquedo e exercer o poder de compreensão e iniciativa da brincadeira é o primeiro passo importante, segundo o neurologista infantil, Carlos Takeuchi, do Hospital Albert Einstein.

O processo de elaborar e executar uma ação a partir do estímulo oferecido por um brinquedo é um exercício cerebral, com reflexos na autoestima e na confiança da criança, na medida em que ela tem uma gratificação depois de um esforço, tem sucesso ao conseguir brincar. Além disso, desde muito cedo, a criança desenvolve memória, noção espacial e capacidade de concentração.

É importante variar os brinquedos de acordo com a faixa etária para estimular diferentes funções do cérebro. “A brincadeira deve ser feita a qualquer momento, com ou sem brinquedo. É bom brincar andando, tomando banho, comendo. Aproveitar o momento de enfiar um canudinho no copo. Os pais devem identificar a oportunidade de inventar uma brincadeira e gerar um aprendizado”, sugeriu.

O brinquedo deve fazer parte da vida da criança desde muito cedo. Quando tem alguma coisa nas mãos para explorar, a criança brinca calmamente. Por isso, em vez da chupeta, é muito melhor oferecer um brinquedo se a criança está chorando. É brincando que ela vai ter um desenvolvimento saudável.

Por mais banal que pareça, a brincadeira gera aprendizado. Para colocar a roupa em uma boneca é preciso esforço, concentração, coordenação motora, paciência, persistência. A criança cria estratégias para brincar, usa a imaginação e a criatividade, exercita a vida, aprende.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Brinquedos educativos e jogos contribuem para o aprendizado

Uma conversa com o neurologista da infância, Marco Antonio Arruda

Todos os brinquedos e brincadeiras são importantes e fundamentais para o desenvolvimento infantil. Cada um cumpre um papel ao estimular áreas diferentes do cérebro capazes de contribuir para desenvolver habilidades e capacidades diversas. Os brinquedos educativos e jogos estimulam áreas cerebrais que estão envolvidas com o aprendizado.

Cores, formas, tamanhos, texturas

De plástico, de madeira, de tecido, de materiais e cores diversas, os brinquedos educativos despertam a curiosidade e o interesse das crianças e oferecem muitas oportunidades de brincadeiras. Segundo o neurologista da infância, Marco Antonio Arruda, do Instituto Glia, os brinquedos educativos estimulam áreas do cérebro relacionadas à coordenação das mãos e dos dedos que chamamos de coordenação fina. E também estimulam aspectos sensoriais e visuais (cores e formas) e táteis (peso, formas e textura dos materiais).

Os brinquedos educativos são importantes nas fases mais precoces da vida. A variedade de brinquedos para bebês é enorme e as crianças devem ter acesso a eles assim que começam a segurar objetos. Um bebê se desenvolve muito mais segurando, tocando e lambendo um brinquedinho do que parado em frente à televisão. Aos poucos, ele vai aprendendo a encaixar, a montar, a combinar as formas e cores em um processo fundamental para o bom desenvolvimento físico e mental.

Jogos

Por volta dos três a cinco anos de idade, é bom colocar a criança em contato com outros tipos de brinquedo. Os jogos de memória estimulam o córtex pré-frontal, responsável pelo armazenamento provisório das informações, a chamada memória operacional, e o hipocampo, onde as informações vão ser guardadas definitivamente.

O quebra-cabeça estimula o córtex parietal, onde estão áreas responsáveis pela organização visual e espacial da criança, e o córtex pré-frontal, que abriga funções executivas relacionadas com planejamento, estratégia, automonitoramento, entre outras.

Os jogos de estratégia, como damas, dominó e xadrez também estimulam essa área de organização visual e espacial e contribuem para o desenvolvimento de memória operacional, que utiliza informações recentemente adquiridas para executar uma ação, também chamada de memória de trabalho.

“Todas essas funções vão ser fundamentais para o nosso funcionamento, seja para trocar de roupa, seja para escrever uma tese de doutoramento”, explicou. Segundo o neurologista da infância, cada fase do desenvolvimento cerebral requer estímulos compatíveis com o desenvolvimento. Quando esses circuitos neuronais não são estimulados na fase adequada, a criança pode ter dificuldades com essas funções que vão acabar se manifestando no seu dia a dia em casa e na escola.

Para exemplificar, o médico disse que se os olhos de um recém-nascido forem vedados por um determinado tempo, em alguns meses, ele fica cego. E também é por isso que é mais difícil para um adulto aprender uma língua estrangeira do que para uma criança antes dos nove anos de idade, época em que o cérebro está fértil para desenvolver a capacidade para aprender um novo idioma.

“Compare o cérebro da criança a uma cidade. As ruas são circuitos cerebrais por onde passa o estímulo nervoso. Imagine uma situação hipotética, se não trafegassem carros por essas ruas, elas acabavam se fechando. No cérebro da criança é assim, se determinadas funções, comandadas por determinados circuitos cerebrais, não forem estimuladas, a criança não desenvolve bem aquela função”, explicou.

Os brinquedos têm o poder de estimular os circuitos cerebrais e colaborar com o desenvolvimento de várias funções no cérebro da criança. “Coloque uma criança apenas no videogame, ela vai desenvolver apenas funções estimuladas por aquele game”, disse.

Por isso, é importante diversificar os brinquedos e as brincadeiras. “É como numa academia, utilizar diferentes aparelhos para desenvolver diferentes músculos”.

Organização e cuidados

A brincadeira precisa ser estruturada, ou seja, com um brinquedo de cada vez, e com a criança perseverando para conseguir os objetivos, pois isso tem reflexos no desenvolvimento da atenção.

Marco Antonio Arruda disse que os pais devem estimular o uso de brinquedos educativos e jogos, mas devem estar atentos para evitar possíveis exageros. O excesso deve ser coibido se o brincar tomar tempo dos deveres da criança ou do convívio social.

O brincar não deve ser solitário o tempo todo. As crianças que preferem brincar sozinhas apresentam um risco 6,2 vezes maior de ter transtornos mentais e 1,8 vez maior de ter baixo desempenho escolar, segundo dados do Projeto Atenção Brasil, pesquisa sobre a saúde mental da população infantil brasileira, coordenada pelo neurologista.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Nas férias, criança precisa de sossego para descansar

As crianças não precisam de um grande roteiro turístico ou de uma agenda lotada de atividades para ficarem felizes nas férias. O mais importante para a saúde física e mental da criança é sair da rotina e ter sossego para descansar. É um período para acordar mais tarde, tomar um café da manhã mais demorado, ter horários menos rígidos para as refeições, ficar mais perto dos pais, ter tempo livre para curtir a preguiça e brincar à vontade.

As atividades de lazer e de entretenimento são interessantes para quebrar a rotina e alegrar as férias da criançada, mas sem exageros, para não repetir a correria e o estresse com o trânsito e os horários do resto ano. Um passeio em um parque para andar de bicicleta, empinar pipa, brincar na areia e no parquinho; uma visita a um museu, um aquário, uma biblioteca, um centro cultural; ir ao cinema, ao teatro, ao circo, ao zoológico, ao jardim botânico; participar de oficinas de arte, de música ou de dança; correr na praia, jogar bola, subir em árvore, andar a cavalo, pescar e tantas outras coisas..., criança se diverte com tudo.

Esses são programas que as crianças adoram e que contribuem para o aprendizado e para o bem-estar de meninos e meninas de todas as idades. O contato com a natureza, com atividades esportivas e artísticas são estímulos importantes para o desenvolvimento infantil, pois oferecem possibilidades para trabalhar a coordenação motora, a concentração, o esforço para concluir uma tarefa, e para brincar e usar a imaginação e a criatividade tão fundamentais para uma infância saudável.

Ficar em casa é gostoso

As crianças gostam de fazer alguma coisa diferente para marcar o período de férias e aproveitar a casa com mais tempo, brincar no quintal ou na área de lazer do prédio, explorar os próprios brinquedos também é muito saudável. Basta um divertimento qualquer, uma brincadeira de esconde-esconde com os vizinhos, uma comida caprichada no almoço, um bolo quentinho no lanche, um filme no DVD comendo pipoca para deixar esse período de descanso mais gostoso.

Quando os pais continuam trabalhando e não conseguem um tempo livre para uma programação especial, vale levar a criança para o trabalho um dia. Quando o ambiente e a atividade dos pais permitem a presença da criança por um dia ou algumas horas, é uma felicidade conhecer onde os pais trabalham, o que eles fazem e quem são os seus colegas.

TV é o pior programa

Os vários profissionais com os quais conversei sobre férias foram unânimes: o pior que os pais podem fazer é deixar os filhos passarem as férias em frente à televisão. Não ter compromissos não quer dizer ficar entediado sem ter o que fazer. Sair da rotina é fazer as coisas com calma, com horários mais largos e com liberdade para escolher.

A psicóloga Norka Bonetti, do Instituto Sedes Sapientiae, disse que os pais devem aproveitar as férias para conhecer e respeitar o ritmo da criança, sentir como ela funciona sem uma programação predeterminada. É importante que as férias proporcionem um clima mais solto para que as crianças tenham oportunidade de ficar à vontade e de manifestar o que querem fazer.

Grande parte dos pais não pode ficar mais tempo com as crianças nas férias escolares, mas quando isso é possível, é importante que essas horas sejam aproveitadas para mais proximidade e intimidade. Sem a correria do dia a dia, os filhos podem entender melhor os hábitos, posturas e atitudes dos pais e podem se mostrar mais para eles, agindo com espontaneidade e expressando criatividade em suas brincadeiras e atividades.

Viajar é bom para ficar junto

Quando viajam, os pais precisam ficar disponíveis para brincar e aproveitar as férias ao lado dos filhos. O contato com eles é muito mais proveitoso para o desenvolvimento da criança do que uma série de atividades que fazem parte dos pacotes turísticos. A terapeuta disse que alguns pais, “na melhor das intenções”, impõem um lazer intenso para as crianças, e não conseguem entender que a necessidade real delas é ficar “largadas” ao lado deles.

O psicólogo e psicanalista Rubens Maciel, pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) concorda. Para ele, o melhor para a criança é a oportunidade de sentir o amor dos pais, revelado pelo interesse deles. É um momento para o filho perceber o investimento afetivo contido na dedicação, no zelo e no carinho que os pais têm com ele.

Lição de casa nas férias é para quem está com dificuldade

A psicopedagoga Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, disse que os professores devem evitar passar lição de casa para as férias, porque esse período de descanso é muito importante para o próprio aprendizado. As atividades se justificam para crianças com dificuldades e fraco desempenho escolar, que precisam recuperar algo que não foi alcançado durante o semestre para que o retorno às aulas seja mais tranquilo.

O mesmo vale para as aulas particulares, necessárias quando o aluno não está conseguindo acompanhar o resto da classe. Mas as aulas devem ser em dias alternados para permitir que a criança também descanse.

Ler um livro é um bom programa para todos

A psicopedagoga disse ser favorável a uma atividade comum nas férias de julho para estudantes de todas as séries, independentemente do desempenho escolar. Muitas escolas pedem a leitura de um livro durante as férias do meio do ano e aplicam uma prova no retorno às aulas ou determinam um trabalho sobre o livro. “É um estímulo à leitura. Ler não é chato, não é uma cobrança pesada. Ler é uma forma legal de aproveitar as férias”, disse.

Quem não tem a tarefa pedida pela escola, também pode ler um livro para se manter em contato com o aprendizado. Outras atividades lúdicas também mantêm a criança no ritmo da escrita e da leitura e contribuem para uma volta mais tranquila depois das férias. A dica vale principalmente para as crianças em fase de alfabetização. É bom brincar de palavras cruzadas, forca e caça palavras. Eu adorava brincar de stop... Quem nunca brincou de stop em um dia frio e chuvoso?